notas...

Todos os textos, imagens ou sons aqui presentes são originais, não tendo sido publicados, até ao momento, noutro formato ou local.

plano a gosto

flui a densidade humana
a ritmo sincronizado
qual lista de tarefas a realizar.
Busca-se sossego,
pesquisa-se serenidade,
com limites, porém!
Destinos comuns, mediáticos
e ignorantes também.
E no fim o novo cúmulo da experiência,
soma-se já esgotado,
relembrando mais uma opção a gosto.
Nas entrelinhas, vestígios refugiam-se,
firmes de vida,
cientes da missão, na incerteza da exactidão.
Sob um cenário envolto,
que suscita a ânsia,
de um sossego ou não.

ad verso

[este tem dica: desenvolvimento da romã]

tão sublime esse toque
indiferente e profundo.
Um jeito meigo de menino
que pincela no céu
castelos de princesas
e serve, com sorrisos,
um olhar de encantar.
Gotejas vida, sussurrando cor.
És a margem pura e firme do amor.
O raciocínio completo,
a única lógica.
Basilar, firme, confiante
que inspira expirar a proliferar.

Malabar

Lança a arte,
precisa, rigorosa, firme
e num vislumbre intermédio
atenta diversos trilhos tangíveis.
Inspira, segue, vasculha...
expira profundamente.
Desafia a gravidade com um único
gesto simples,
pincelando um sorriso pleno.

Resiliência

E tentando suster,
sustentando o tentar,
esbate-se o tom de ser
e ensurdece o olhar.
Dói,
porque nunca doeu.
Sai,
porque não vai entrar.
Vem,
porque foi mas não deu,
voz a quem deve escutar.

Abomin'arte


A implosão nauseabunda
parte do abominável complexo desgaste
da reles atitude humana.
É atitude porque outrora foi gesto simples
e olhar doce, que não viu.
Se visse, era apenas olhar simples
e gesto doce.
Escapou-se,
não fosse dessa forma perceber-se.
Evitou entender,
Evitou compreender,
tornando-se incapaz de perceber
que a razão de semelhança
entre termos iguais,
embora pareça uma espécie de um,
varia percentualmente
com o olhar de cada um.

PTugal

Pequeno espaço esgotado de batalhas, lutas e conquistas
Rico em afogados sonhos em oceanos de lágrimas.
Ausente de força, vontade e estrutura
Somente desânimo, crise e ruptura.
É a voz que grita, com fôlego, sem base
E prontos! Que diz se fosse eu mas não sou.
É que eu sou um só... e ninguém explica!
E se explica, é que eu já não sou.
Aguardo exausto de tempo perdido,
que a sorte me desiluda da morte.
Não quero que a nau algures perdida,
me recorde que devo remar a vida.
A força dissipa-se num leito de sono,
após dia longo a navegar em linha.
Distraído, ignoro navegantes de outrora,
que viam nas redes precioso sustento.
E uma vez mais sem tecer, adormeço.
E sonho com linhas, barcos e redes
que ultrapassam velozes lugares e cores,
E ao porto devido acostam em paz.

Raiz


Numa sequência afunilada e entusiasmada de aromas e sons, sabores e mensagens prosseguem caminhos variáveis e únicos.
Partem do simples, rumo ao complexo.
A variedade de caminhos organizados de origem frágil e destino firme, estruturam a orgânica essencial de um breve sopro de vida.
Sustentam assim, sobre unidades frágeis e diversas, porém unidas e jamais invencíveis.
Qual raiz de planta, comunidade ou história.
Qual suporte de vida, razão ou sonho.

Momentos


Basicamente resume-se tudo a um ligeiro sopro...
Não muito intenso ou prolongado,
pois a brevidade do tempo é abundante!
Portanto, são instantes!
Tudo isto, instantes.
De forma precisa e não tanto exacta,
talvez em vez de instantes se tratem de momentos!
Momentos que nos definem.
A nossa estrutura sólida,
é frágil...
e quebra-se facilmente.
E assim, cá estamos.
Porque sim e para tudo.


minor.qi

A ansiedade sôfrega da existência estabelece barreiras limitadas que repetidamente nos mutilam e nos reavivam, recordando que somente passou o tempo justo e real.

É estreito o espaço que promove concretamente o contacto temporal entre a imaginação real e a realidade imaginada.

Em surdina um ligeiro sopro sossega o nosso interior, contribuindo para um galgar leve ao longo do caminho.

Instáveis oscilações provocam o equilíbrio suficiente à estrutura do ser.

Os tolos, medem, calculam e possuem bom senso, circulando com normalidade nas ruas.

Os mais pequenos, acreditam verdadeiramente em mentiras ousadas de felicidade e sonhando calmamente mantêm um sorriso prolongado proporcional ao seu tamanho.

Inspiram suavemente e sorriem uma vez mais.

E alcançam realidades menores e firmes.

Equilíbrio

É como se uma breve gota caísse...
E perdida no espaço vazio,
Apagasse a linha ténue
Que separa a loucura
Da sanidade mortal!

Depois,
Talvez fosse o tão anunciado caos.
Esse que todos dizem um dia surgir...
Mas que nunca vem!
(Ou terá vindo subtilmente?!)

Se não caísse?

O espaço continuaria vazio.
A linha manter-se-ia.
Para separar a dita insanidade
Da breve loucura...
...caoticamente mortal!

lençol de seda

Cobramo-nos sempre com um lençol de seda
Um lençol suavemente branco...
Vivamos dentro dele,
Amando a vida
E a verdade de sermos deste mundo...

A lua dar-lhe-á uma cor deveras pura...
Lavar-se-á nas mais límpidas gotas de orvalho,
De chuva,
Ou até mesmo de um gelo esquecido pela noite,
Num emaranhado de ervas selvagens,
De um breve bosque...

Assim, permitirá que os raios de sol
O assaltem e que, para além do mundo,
Sejam também nossos...

Raios, porém, ligeiramente mais quentes
E menos intensos,
Mais suaves, menos confusos,
Mais claros, menos breves,
Mais leves,
subtis...

Que seja este nosso mundo,
Num lençol de seda branco...

[e que o segredo da vida seja visto mais nitidamente... sendo, para isso, as flores mais nítidas, os sons mais claros, e o sorriso tão ou mais puro que a lua.]

doce grão

Um dia é feliz por vezes por seu fim ser tranquilo…

A dor ao longo do dia desvanece-se numa chávena de café, quase sobre o dia seguinte.

A breve pausa revitaliza e sopra instantes de estabilidade e a dor dissipa-se definitivamente.

Assim se disfarça a serenidade e a paz.

Por vezes, encontrámo-las em grãos de café, outras em grãos de açúcar.

Grãos que nos desafiam, mas acima de tudo, nos divertem, pois promovem uma boa dose de entretenimento na sua busca.

É assim como quando crianças, a brincar a um esconde-esconde inocente e feliz.

Era uma alegria!

Dia monótono, inconstante...
Sem qualquer revelação atempada do tempo.
Desespera a necessidade de agir contra as circunstâncias que limitam o dia.

E assim falo de sombras, porque não há sol!
Apenas a sombra fingida da caneta sincera,
por entre uma frágil nesga de luz,
que bem poderia ser caneta fingida sobre sombra inocente.

Saio com desgosto à rua,
porque a sombra não me acompanha,
deixando-me exclusivamente só.
É terrível sem sombra,
o único e íntimo apoio
para uma sobrevivência saudável.

Humildemente, dá estrutura,
suporta o conteúdo,
e na obscuridade exige sair,
exibir-se.

Em dias bonitos,
não ouso reprimi-la.
Ou arrisco perder tudo.
Inclusive a sensação de plenitude.

Jamais serei completo,
ou cheio ao ponto de rebentar.

Completo, no dicionário,
não significa cheio ao ponto de rebentar,
Acaso significasse...
...era uma alegria!

Suspirar um sopro

O tempo escorre e faz-me cada vez mais acreditar que a vida se rege por regras muito restritas e rigorosas.

Porém, estas regras estão distribuídas de forma tão subtil que para se fazerem impor implicam que breves brisas soprem segundo uma coordenação extremamente exacta.

Reúne-se tudo no mesmo. Tudo aquilo que vive, pertence a um sistema global composto por inúmeras fracções elementares interdependentes.

Se soprar, de facto, no local onde me encontro agora, posso contribuir para que o deserto mais próximo ou distante, se refresque de uma brisa leve.

Para que algo se mova, terá que existir um mínimo de acção proveniente de outro ser, vivo ou não.

Mas não vou soprar.
Apenas suspirar em paz.

Breves instantes profundos

Permanecer

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima.
E subitamente
pela janela,
avistamos crianças correndo no molhe,
cantando.
Sem nome.
Uma ou outra sou eu,
ou o que fui
quando cheguei a ser
luminosa presença da graça
ou da alegria.
Vem que,
subitamente surge o sorriso,
durando, durando ainda.

brisa


Dentro de mim há um som, um breve ruído que altera a única sensação de leveza que me é permitido ter.
Os inconstantes pensamentos que me ocorrem, constantemente se congestionam, sufocando-me totalmente, permitindo apenas que vislumbre uma suave névoa de desespero e angústia.
Sim, não consigo controlar a velha dor que visita a minha mente, diariamente, louca e suavemente...
Lenta, doce, meiga, terna, serão sempre estas palavras que irão caracterizar a sensação dolorosa que perfura a liberdade da minha consciência.
Doce, terna, lenta, meiga.

ir'i'vir

Crescer entre idas e voltas, entre numerosas visitas e visitantes, entre trocas de expressões particulares diversas.

O movimento activa-nos, é a ignição das nossas acções, a inspiração das nossas ideias.

O objectivo?

Ser feliz. Realizar sonhos. Evoluir sobre alicerces estáveis.

Chegar onde? Quando? Por quanto tempo?

Chegar a casa, sempre. Com chocolates, doces típicos, roupa p’ra lavar, sorrir a quem te espera com alegria e entusiasmo… afagar o cão, o gato.

Reactivar os aromas, os sons.

A viagem afronta o movimento estagnado, o cérebro limitado. A viagem promove as descargas necessárias à concretização de sonhos.

Urge ir, voltar e parar.



Segue.

Segue...

E simplesmente esquece aquele suor obscuro que sentiste.
Foi aquele odor pesado num vaivém de carros sem destino.
Num cruzar de ruas sem saída.
Mas, algures no tempo, vislumbraste voar
Fora e dentro de ti.
Oscilaste nas redes que te sufocavam
e viveste... um breve suor frio de prazer,
num longo crepúsculo sem fim.

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